• Leila Dienne Martínez

Como arrumei um camelo para chamar de meu!

Atualizado: 5 de Ago de 2019





Como primeiro post dessa coluna, vou contar pra vocês  como vim parar aqui nas areias escaldantes do deserto.

Em 2005, a Varig , empresa aérea na qual meu marido trabalhava, entrou em processo de recuperação judicial,  vindo a decretar falência pouco tempo depois.

Nos vimos obrigados  a buscar novos horizontes; pois, as empresas aéreas brasileiras não conseguiriam absorver toda mão de obra disponível.

Foi então que a idéia de morar fora do Brasil começou a rondar nossas vidas.

Meu marido então aplicou num primeiro momento para a Emirates, mas já fui avisando que pro Oriente Médio eu não iria…olha eu aqui!!!!

Por pura falta de conhecimento sobre a cultura, e com idéias preconcebidas pela mídia, fiquei apavorada com a possibilidade de ter que vestir uma burca. Definitivamente isso não estava nos planos de uma mulher super crítica e totalmente independente como eu.

Então surgiu a oportunidade de irmos pra China, o que também me assustou.

Por que ele não podia escolher Estados Unidos ou Europa, lugares tão amados por todos?

Simplesmente porque nesses lugares não haviam bons contratos.

Ok, então vamos pra China. Serão somente dois anos, faremos uma poupança e voltaremos pra o Brasil. Essa era nossa idéia, é tudo temporário!

Achei que seria a oportunidade ideal para me tornar uma pessoa zen, talvez virar budista, mudar meu rítmo de vida. Realmente mudou, mas não como eu esperava!

Desembarcamos em Shanghai no dia 04 de Abril de 2007 e a primeira coisa que descobri é que em Shanghai não haviam plantações de arroz como eu imaginava. Que a cidade era uma potência. Extremamente moderna, com um trânsito louco, muita, mas muita gente na rua. A idéia de virar zen fugiu da minha cabeça em segundos.

Começamos  nossa adaptação construindo uma nova vida com tudo que ela envolve: casa nova,  busca por escolas que aceitassem nossos filhos, na época com um inglês quase nulo, novos amigos… Essa aventura envolvia nossos dois filhos, então com 14 e 9 anos, uma mala de 30 Kg para cada um e uma saudade imensa da família. 

De cara já apareceram as primeiras dificuldades, pouco se falava o inglês em Shanghai, naquela época, e tinhamos que nos comunicar com o “Chinglês”, mímica e por ai vai.

Passei  por momentos  hilários que renderiam um livro.

Depois de um ano em Shanghai mudamos para Shenzhen, cidade mais ocidentalizada por fazer fronteira com Hong Kong, embora ainda pertencente ao lado comunista.

Seria um contrato de cinco anos e a idéia de voltar ao Brasil  começou a ficar distante.

Foi então que me vi obrigada a estudar Mandarim. Como poderia viver num lugar sem me comunicar? Me matriculei no Curso de Mandarim na Universidade de Shenzhen onde cursei 3 semestres, o que me deu uma boa noção sobre o idioma.

Quando tudo parecia perfeito, nós já adaptados com nossa vida na China, filhos bem encaminhados, adorando viver no País… Tudo mudou!

A empresa Jade Cargo, em que meu marido trabalhava, resolveu fechar as portas. A parceria entre a Lufthansa Cargo e a Shenzhen Airlines não era mais produtiva.





Com todos direitos trabalhistas pagos tínhamos uma nova mudança pela frente.

Foi então que tivemos que decidir entre permanecer na China, em outra empresa aérea, ou aproveitar a oportunidade de morar no Oriente Médio.

Para minha suspresa, dessa vez , a decisão de mudar para o Oriente Médio foi minha.

Essa adrenalina por novas descobertas tomou conta de mim. Hoje faço disso meu hobby, meu trabalho e minha felicidade.

Comecei a pesquisar antes mesmo do novo contrato estar assinado. Fui ficando fascinada pela cultura a cada nova informação. É  como se conhecesse a cultura árabe há milênios. Talvez porque meu vô tivesse origem Libanesa. Apesar de não ter convivido com ele, deve ter ficado alguma herança genética.

Em menos de seis meses estavamos nos mudando.

Diogo, eu, nossos filhos, Gustavo e Juliana, nossa cadela chinesa Tequila e um container.

Fora os amigos que fizemos na China, não deixamos nada para trás.

Como se diz no Sul, nos instalamos de MALA E CUIA  NO QATAR.

Hoje levamos uma vida extremamente tranqüila por aqui.

Meu esposo trabalha na Qatar Airways. Juliana, com 16 anos, estuda na American School of Doha e Gustavo, com 22, cursa a Qatar Aeronautical College, de onde pretende seguir carreira na Qatar Airways.

Eu, como não consigo ficar parada, comecei a trabalhar como  Guia de Turismo e sigo estudando a cultura local .

E apartir de agora, dividirei minha experiência na região com vocês leitores.


Vocês  irão conhecer o Qatar pelos  olhos  de uma Brasileira que aprendeu a respeirar as diferenças culturais, que adora estudar e escrever.

A coluna irá abordar  sobre preparativos para a Copa de 2022, pontos turísticos,  projetos em construção,  projetos culturais e na área da saúde, costumes, roupas, danças , comidas típicas , cultura Islâmica, oportunidades de emprego, etc.

Estarei aqui derrubando tabus e matando a curiosidade dos brasileiros  sobre como é viver num país muçulmano.

Vou  mostrar para vocês tudo que acontece nesse pequeno pedaço de terra, menor que o estado de Sergipe, e que tem chamado  a atenção da mídia internacional  por ser a futura sede da Copa do Mundo de 2022.

Convido vocês a me acompanharem nesse roteiro pelo Golfo Pérsico.

Caso você esteja planejando visitar o Qatar, vou dar dicas super úteis.

Se você nunca pensou nisso, certeza que vai acrescentar nos seus próximos roteiros.

E se você não tem disponibilidade de viajar, lhe convido para uma viagem cultural.

Conhecer e respeitar diferentes realidades são a chave do sucesso para uma boa evolução profissional e pessoal.


Dispa–se de pré-conceitos, pegue seu camelo e venha comigo!

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