• Leila Dienne Martínez

Um verdadeiro governante

Same , same but different


Essa era a frase que eu mais ouvia quando morava na China. E não é que ela se aplica perfeitamente ao momento político atual, se fizermos uma comparação, entre o Brasil e o Catar! Já aviso que a comparação é meramente figurativa pois essa coluna não tem a pretensão de discutir política.


Ambos países estão passando por momentos de explosão de nacionalismo e uma espécie de idolatria ao governante eleito. Onde mora a diferença? No tipo de governo e na forma como o presidente é escolhido. O Catar é um emirado absolutista e hereditário comandado pela família real Al Thani desde 1851. Os cargos mais importantes no país são ocupados por membros ou grupos próximos da família Al Thani, ou seja , nada de eleições democráticas por aqui.


O Emir Sheik Tamim bin Hamad Al Thani assumiu o poder em 2013 depois que seu pai Sheikh Hamad renunciou. Segundo filho do Sheik Hamad com a Sheika Moza bin Nasser, Sheikh Tamim recebeu desde criança uma educação direcionada para assumir os destinos do Catar.


Estudou nas melhores escolas do Reino Unido, na  Sherborne School e na Harrow School. Concluiu seus estudos em 1977 mas permaneceu no Reino Unido para se formar na Royal Military Academy, em Sandhurst. Regressou a Doha e assumiu o posto de Segundo Tenente e em 2009, ascendeu a Comandante Supremo das Forças Armadas.


Quando assumiu o Emirado em 2013, o Emir Sheik Tamim fez uma “limpeza” governativa no Catar. Pela primeira vez na história nomeou um ministro que não tinha ligações com a família real, além de indicar uma mulher para um dos ministérios, coisa rara num país muçulmano. O novo Emir queria que o Catar caminhasse no sentido da meritocracia. Qualquer semelhança é mera coincidência.


Em 2014, o Emir aprovou uma nova legislação sobre o cibercrime. A lei da cibercriminalidade proíbe a divulgação de “fake news”, bem como material digital que viole os “valores sociais” do país ou a “ordem geral”.


Em Junho de 2017 o país foi surpreendido por uma “onda de resistência” dos países vizinhos (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito) que fecharam as fronteiras aéreas, marítimas e terrestres com o Catar.





Imagem viralizada do artista Ahmed bin Majed Almaadheed retratando o Emir H ​​H Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, "Glorioso Tamim" em caligrafia árabe

Desde o início da crise, o Emir  fez várias mudanças ​​na política social, incluindo mudanças nas leis de residência e leis trabalhistas para proteger os dois milhões de trabalhadores migrantes que vivem no Catar. Abriu as fronteiras para mais de oitenta países, entre eles o Brasil. As medidas tomadas pelo Emir em favor da população de expatriados fizeram com que esses se unissem ao povo qatari dando suporte ao Emir nas suas decisões. Assim se criou uma onda de idolatria que não fazia parte do dia a dia do pais anteriormente. Hoje se você visitar Doha você verá vários prédios cobertos com a imagem do Emir, carros adesivados, casas particulares com a bandeira do país e fotos do Emir Sheik Tamim.


As fronteiras permanecem fechadas até o presente momento, por isso quando você pega um voo da Qatar Airways partindo de São Paulo muitas pessoas não entendem por que o avião faz uma volta tão grande para pousar em Doha, simplesmente porque não pode cruzar o espaço aéreo da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.


Importante lembrar que o Catar não faz parte dos Emirados Árabes Unidos, ele é um emirado independente desde setembro de 1971. Durante cinquenta e cinco anos o Catar juntamente com o Bahrein, Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Ajman, Umm Al Qaiwain, Ras Al Khaimah, Fujairah  fizeram parte de um protetorado Britânico que terminou em 1971. No mesmo ano o Catar e o Bahrein se tornaram independentes e os sete emirados restantes de uniram e formaram os Emirados Árabes Unidos.


Em recente pronunciamento o Emir Sheikh Tamim disse que "O país continuará a desenvolver suas indústrias de petróleo e gás, uma vez que está empenhado em preservar seu status de maior exportador de gás natural do mundo, e o país aumentou suas exportações em 18% no ano passado e reduziu os gastos em 20%"durante o bloqueio.


A resistência por aqui está rendendo bons frutos e recentemente um grupo de turistas que guiei ficou tão encantado com o país que criou a hashtag #somostodosemir.

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